Susana Araújo Barros
Às margens do Velho Chico, a histórica cidade alagoana harmoniza a beleza dos cânions imponentes, a epopeia do cangaço e uma culinária irresistível.

Emoldurada no coração do baixo São Francisco, a pequena e vibrante cidade de Piranhas desponta como um dos segredos mais fascinantes do turismo brasileiro.
Apelidada de “Lapinha do Sertão”, o município é um verdadeiro museu a céu aberto, onde a história colonial, a força da natureza e as lendas do cangaço se entrelaçam sob o sol do Nordeste.

História
As origens de Piranhas remontam ao século XVII, tendo sido emancipada e elevada à unidade autônoma ainda no século XIX. Desde a década de 1940, a região preserva com orgulho a sua clássica divisão administrativa, composta pelo núcleo urbano principal e pela bucólica vila de Entremontes.
Caminhar por suas ruas é fazer uma viagem no tempo, revivendo episódios profundos que moldaram a identidade cultural do país.
A cidade testemunhou o desfecho dramático do Cangaço: as escadarias do Palácio Dom Pedro II serviram de cenário para a exposição pública das cabeças de Lampião, Maria Bonita e de seus parceiros, após a célebre emboscada na Grota de Angicos.
O que Visitar em Piranhas
O turismo na “Lapinha do Sertão” passa por investimentos robustos em hotelaria e receptivo, mas são as atrações tradicionais que continuam a capturar o coração dos viajantes.
Cânions do São Francisco
Também conhecido como Cânion do Xingó, destaca-se como um dos maiores cânions navegáveis do planeta. O passeio tradicional de catamarã desliza suavemente por águas esmeraldas cercadas por imponentes e milenares paredões rochosos.
Centro Histórico
Disposto harmoniosamente às margens do Velho Chico, exibe um casario colonial perfeitamente preservado pelo Iphan. As fachadas coloridas formam uma moldura poética que encanta fotógrafos e pedestres.
Mirante Secular
Erguido no final do século XIX, situa-se no lado oposto ao Mirante da Igreja. Junto a um imponente obelisco, o local oferece uma das visões panorâmicas mais deslumbrantes da curvatura do rio e do relevo dos cânions.
Museu do Cangaço
Instalado no coração do Centro Histórico, o espaço salvaguarda a memória coletiva regional. Reúne um acervo com objetos autênticos de Lampião e o emblemático registro fotográfico que imortalizou o fim da era do cangaço.
Rota do Cangaço
Compreende uma imersão histórica de 10 quilômetros que interliga Canindé do São Francisco e Piranhas. Realizado em catamarãs ou lanchas rápidas complementado por trilhas a pé, o passeio reconstitui fielmente os passos da volante policial que capturou o bando de Lampião, unindo história, bioma caatinga e praias fluviais para banho.
Vila de Entremontes
Embora integre o circuito do cangaço, a vila brilha por luz própria como a “Capital do Bordado”. Suas casas coloniais guardam memórias da visita histórica do Imperador Dom Pedro II, enquanto as artesãs perpetuam técnicas ancestrais como o Redendê e o Ponto Cruz — orgulhosamente declarados patrimônios imateriais do Estado de Alagoas.
Gastronomia
A culinária piranhense é o reflexo exato do encontro geográfico entre a força da caatinga e a fartura do Rio São Francisco. Os menus locais celebram temperos intensos e ingredientes frescos, onde os peixes de água doce dividem as atenções com os cortes nobres do sertão.
O destaque vai para a peixada com pirão, pratos como o lagostim do Rio (Pituzada), carne de sol com macaxeira, galinha de capoeira, baião de dois, dentre outros.
Legado do Xaxado
A alma de Piranhas pulsa através das suas manifestações artísticas. A arquitetura preservada, o tecer paciente dos bordados de Entremontes e as receitas repassadas por gerações ganham uma camada ainda mais viva quando a música ecoa pelas praças de pedra.
Embora o clássico forró pé de serra domine as noites e os festejos populares, é o xaxado que detém o papel de guardião histórico da região. Sob a influência direta de Lampião, o ritmo e a coreografia foram disseminados por todo o Nordeste brasileiro.
Produção
Matéria produzida durante encontro de abrajeteanos para reunião do Conselho Executivo da Abrajet Nacional, realizada de 28 a 30 de maio, em Piranhas.
A realização do evento contou com a parceria e o apoio de instituições e do trade local, a exemplo da Abrajet-AL, Setur-AL e ABIH-AL.
Em Maceió: Hotel Ponta Verde, Hotel Verano, Hotel Pajuçara Praia, Saint Patrick Grand Hotel e as operadoras Luck Receptivo e MF Tour. (Nota: “Hotel Ponta Verde” estava repetido e foi removido).
Em Marechal Deodoro: Prefeitura e Secretaria de Turismo, e Hotel Ponta Verde (na Praia do Francês).
Em Piranhas: O apoio foi da Prefeitura e Secretaria de Turismo, Dunen Hotel, Hotel Pedra do Sino, Cangaço Ecoparque, Cachaçaria Altemar, Hotel e Pousada Jau, e restaurantes Carrancas e Parmegiana.
Em Entremontes: Os jornalistas percorreram os atrativos locais e conferiram o cardápio do restaurante Maria Gogó.
